Concessão do aeroporto de Manaus: expectativa x realidade

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Doutor em Engenharia de Transportes e professor da Ufam



O Aeroporto Internacional de Manaus possui muita oportunidade de crescimento. Esperava-se que após a concessão para a iniciativa privada começaria um boom de crescimento no aeroporto, com aumento da competitividade, melhoria dos serviços e redução dos custos, com grande agilidade e interação com a sociedade, empresas e governo para a ampliação da malha aérea de Manaus para o mundo. A realidade é diferente das aspirações.


O aeroporto encolheu em muitas de suas áreas, provavelmente para um melhor equilíbrio de custos, reduzindo o volume de refrigeração. Consequentemente, a percepção de grandeza do aeroporto se perdeu. Sentimos um aeroporto muito menor do que realmente é. As áreas de estacionamento estão em grande parte fechadas, com um aumento sensível nos preços, especialmente para os executivos que fazem viagens frequentes, pois antes fazia sentido deixar o carro no aeroporto e isso ficou caro.


As conveniências dos aeroportos e estacionamentos europeus, com cartão de crédito na saída ou leituras automáticas de placa também está bem distante da realidade. Quando se vai ao aeroporto e a opção é estacionar, é necessário descer do carro e ir pagar no terminal, onde se perde toda a agilidade contemporânea e esquece-se das franquias de desistência de estacionamento, para a qual a Infraero era super pressionada no passado ou mesmo de totens na área do estacionamento.


A aparência do aeroporto também não tem ajudado. É fácil compreender o desafio de administrar uma concessão que agora é em bloco, onde a administradora precisa cuidar de outros aeroportos além do internacional de Manaus. Entretanto, ainda não consigo perceber os ganhos advindos da concessão. O diálogo da sociedade com o monopólio privado parece mais difícil e menos ágil com o ente privado do que era com um ente público, quando se esperava exatamente o oposto.


A redução de custos por ganho de produtividade ou o aumento de voos para outras partes do mundo talvez esteja sendo prejudicada pela falta de ofertas de voos pelas empresas aéreas. É desafiante um sistema aéreo competitivo. Há ainda um longo caminho a ser feito pela ANAC e empresas aéreas, em conjunto com a Concessionária francesa Vinci, que administra o aeroporto de Manaus. A sensação que tenho até agora é que precisaremos de muito mais esforço do que o que foi empreendido até aqui.


Será que a falta de mais voos e mais passageiros é pelo excesso de custo? Em ambientes que não há monopólio, tipicamente o problema de falta de demanda é resolvido pela redução dos preços. Entretanto, o caminho tem sido o oposto, com pleitos para aumento dos preços regulados do aeroporto. Estou na expectativa do momento em que será feito um esforço de redução de preços, para ocupação da capacidade ociosa, ao invés da lógica perversa do aumento indexado pela inflação e além dela, atrás de rentabilidade pelo esmagamento de quem não possui alternativa ao monopólio.