INTELIGÊNCIA DE MERCADO: Oportunidades no setor Termoplástico do Polo Industrial de Manaus

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O setor termoplástico é um dos mais promissores no Polo Industrial de Manaus. Quase dobrou seu faturamento em dólares nos últimos cinco anos, aumentando de US$ 1,57 bilhões em 2018 para US$ 2,88 bilhões em 2023. No mesmo período, sua participação no faturamento total do PIM aumentou de 6 para 8%.

Hoje, 187 empresas atuam no setor, com 319 produtos previstos no conjunto dos PPBs. A base produtiva se volta tanto para o atendimento aos setores líderes do PIM, com peças plásticas moldadas por injeção para os setores de Duas Rodas, Eletroeletrônicos e Bens de Informática, quanto para bens finais, como móveis, produtos hospitalares, artigos para construção civil e mesmo para o agronegócio do Centro-Oeste brasileiro.

O setor se destaca pelo elevado volume de importações, em kg. Enquanto os valores FOB em US$ são comparáveis com os demais setores do PIM nas mesmas proporções do faturamento, quando se observa a massa importada em kg o setor termoplástico é de longe o mais relevante. Vide comparação abaixo.

Gráfico 01: Importações PIM, FOB em US$ milhões. Jan-Jul/24


Gráfico 02: Importações PIM, volume em Kg milhões. Jan-Jul/24



O valor FOB das importações no primeiro semestre de 2024 foi de aproximadamente US$ 800 milhões. Os principais insumos são os polímeros. Etileno (US$ 157 mi em importação FOB), polietileno (US$ 244 milhões, nas versões de alta e baixa intensidade), estireno (US$ 64 milhões) e polipropileno (R$ 52 milhões). O valor CIF/kg é de aproximadamente US$ 1. Os EUA são os maiores fornecedores, com 61% do valor FOB importado pelo setor. Em segundo, a China com 5%.

O setor Termoplástico do Polo Industrial de Manaus se vê em oportunidade de verticalizar e adensar a cadeia produtiva, com as consultas públicas MDIC 29 e 30, que propõem produzir em Manaus polímeros de Etileno e Polipropileno, respectivamente.

As chances da consulta prosperar são pela proximidade à produção local de petróleo em Urucu, no município de Coari/AM, onde a Petrobras extrai petróleo de elevada qualidade, e gás. A Petrobrás destinava o petróleo à Refinaria de Manaus. Recentemente a refinaria foi privatizada e a Petrobrás interrompeu seu relacionamento comercial com ela. Hoje, o petróleo amazonense é em grande parte exportado, incluindo a nafta.

Ademais, o maior empecilho para a aprovação do PPB é a atuação da Braskem na Bahia, onde produz os polímeros hoje importados pelo setor plástico amazonense. Contudo, seu maior produto não está em consulta pública para os PPBs. Cerca de R$ 60% de sua receita remete ao polietileno e polipropileno, em faixa de R$ 40 a R$ 60 bilhões. Eteno e propeno correspondem a cerca de 5% das receitas da Braskem, em faixa de R$ 4 a R$ 6 bilhões.

Outro impeditivo é a qualidade dos itens petroquímicos locais. O que se pode obter nacionalmente da Braskem ou seus pares nacionais não permite produzir termoplásticos de elevada qualidade. Mais vale obtê-los da Chevron ou Dow Chemical, de quem zarpam os insumos petroquímicos importados para o setor Termoplástico do PIM. A produção local de polímeros teria o desafio de transpor as vantagens comparativas da indústria petroquímica norte-americana.

Por todo esse cenário a perspectiva para o Setor Termoplástico do Polo Industrial de Manaus é extremamente positiva. A produção de seus clientes imediatos segue à razão de 3:1 em relação ao PIB brasileiro, e pode registrar ganhos extraordinários de competitividade em verticalização e adensamento, caso sejam aprovados os PPBs de etileno e propileno para polipropileno.

Mais recentemente houve majoração nas alíquotas de importação de petroquímicos, por meio da Resolução GECEX n. 648/2024, beneficiando especificamente a indústria petroquímica brasileira e o Termoplástico do Polo Industrial de Manaus, pelo que aumenta os diferenciais de competitividade diante da indústria termoplástica do restante do país pelo custo de aquisição dos insumos.

O setor tem absorvido as tecnologias mais recentes de co-extrusão em multicamadas, produzindo filmes e painés plásticos simultaneamente com dois ou mais tipos diferentes de polímeros, ainda que com apenas um tingimento. Disso tem surgido um desafio para obter a mão-de-obra qualificada para operar as máquinas modernas das linhas de co-extrusão.

Para maiores informações, entre em contato por redes@capitalamazonico.com.br