Como foi o ano da indústria no Brasil e no Amazonas
André Ricardo Costa
Doutor em Administração pela USP e professor da Ufam
O que dizem os dados. Ao público amplo, o indicador mais capilar e com confiança e prontidão razoáveis para compreender o desempenho industrial brasileiro é o índice PFM – Produção Física Mensal, publicado mensalmente pelo IBGE para acompanhar o volume de produção dos estados brasileiros. Para a indústria de transformação há riqueza de detalhes a nível dos subsetores. Com base no PFM, apresento uma narrativa de como os subsetores industriais dos estados brasileiros evoluíram em 2024.
O ano começou com o Amazonas em destaque. Foi o melhor estado nos meses de janeiro e fevereiro. Principal motivo foi reversão do atraso na produção devido à estiagem no último trimestre de 2023, a vazão do backlog, os insumos retidos nos portos anteriores a Manaus. Esse movimento foi disseminado a quase todos os setores, com exceção de Bebidas, Químicos e Combustíveis. Os líderes foram máquinas e equipamentos, pela produção de ar-condicionado, equipamentos de transporte, a que pertencem os polos Naval e de Duas Rodas, e os eletrônicos e bens de informática. Nos demais estados, Pernambuco e Rio de Janeiro se destacaram em equipamentos de transporte, provavelmente embarcações, e o Rio Grande do Norte na produção de combustíveis, a retomada da refinaria Clara Camarão.
Ao fim do primeiro trimestre iniciou a marca do meio do ano: No Amazonas, a claudicância nos setores de Bebidas e Combustíveis foi o viés negativo. O positivo, a produção de ar-condicionado surpreendeu, transpondo o que no primeiro trimestre parecia embutido no backlog. Houve forte crescimento em termoplásticos e a produção de motocicletas manteve-se estável no volume bem superior a 2023. No restante do Brasil destacaram-se a produção de Combustíveis no Centro-Oeste, derivada de recordes de produção de etanol naqueles três estados, a produção têxtil do Ceará, de fármacos no Rio de Janeiro, e derivados de tabaco no Rio Grande do Sul.
Caminhando para o fim do ano, o nível geral da indústria brasileira se estabilizou, encerrando a sazonalidade na produção de etanol. Daí voltou a sobressair a indústria amazonense. Despeito a produção de bebidas e combustíveis continuar muito aquém dos demais setores, o volume produzido pelo Polo Industrial de Manaus marca um dos melhores desempenhos para o último quadrimestre.
Muito devido ao modo como solucionou a Seca, bem pior que a de 2023: Antecipou o pico de produção para o mês de agosto – costumava ser outubro – e manteve para setembro a novembro patamar superior à média histórica, mostrando a efetividade das soluções logísticas provisórias em Itacoatiara.
Então, o que dizem os dados? Expressam muitos fatores recorrentemente apontados como importantes para o desenvolvimento socioeconômico. A abundância de insumos explica a produção de etanol no Centro-Oeste e a indústria têxtil cearense. Para esta, acresce o papel da logística – Ceará usufrui do porto de Pecém e da centralidade no Nordeste para receber insumos, como o algodão, e distribuir os produtos, e apoio em várias outras dimensões, de incentivos tributários à educação. Educação, ciência e pesquisa são a base do setor de fármacos no Rio de Janeiro, em torno da Fiocruz.
No Amazonas o PIM formou sólida e diversificada base produtiva para bem atender à demanda do consumidor brasileiro, daí caminha para faturar R$ 200 bilhões. Podemos mais? A vitória na Reforma permite direcionar esforços para otimizar nosso ambiente de negócios. A narrativa do PFM para 2024 pode ajudar.
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